Stephen Amell, da série “Arrow”, gerou controvérsia ao dizer que não estava apoiando a greve dos atores de Hollywood. O ator falou sobre a paralisação durante um evento de fãs realizado na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, no sábado (29). Após a declaração, outros artistas criticaram as falas de Amell e ele se defendeu, apontando que havia sido mal interpretado. Stephen também está sendo acusado de furar a greve ao divulgar indiretamente a série “Heels”, que teve a estreia da segunda temporada na sexta-feira (28).

Eu apoio o meu sindicato, de verdade, e estou com eles, mas não apoio a greve. Eu acho que é uma tática de negociação reducionista e a situação toda é incrivelmente frustrante“, criticou. “E, no que diz respeito a algumas séries, como a série em que eu atuo e que estreou ontem à noite, eu acho que a greve é míope“, afirmou, sem mencionar o nome da produção, algo que o SAG-AFTRA, Sindicato Norte-Americano dos Atores, proibiu.

Ator não citou o nome da série “Heels”, mas criticou o sindicato. (Getty)

Após o posicionamento de Stephen começar a repercutir, atores de “Arrow” deram declarações defendendo a greve e alfinetando o colega. Kirk Acevedo, que viveu Ricardo Diaz, disparou: “Esse imbecil“. Matt Letscher, que interpretou o vilão Eobard Thawne, foi mais sutil. “Ainda estou esperando uma lista completa das táticas não reducionistas que a gente vai poder usar a partir de agora. Graças a Deus temos super-heróis!“, comentou no Twitter.

Antes da sua declaração na convenção de fãs, Stephen já tinha quebrado as regras do sindicato ao gravar um vídeo falando sobre a situação de Hollywood. Ele estava em frente a um outdoor que divulgava “Heels” e desviou o celular, mostrando a propaganda.

Oi, pessoal, bom dia da Sunset Strip! Obviamente, esse é um momento muito estranho e peculiar que estamos atravessando na nossa indústria. Mas eu queria dizer, como ator, que significa muito para mim, quando eu trabalho bastante em um projeto, não parece ser real, não parece que você colocou um ponto-final naquela frase até que você pode compartilhá-la com o mundo. Estou muito grato pelo dia de hoje, e é um tempo estranho, mas eu tenho permissão para sentir orgulho do meu trabalho“, lamentou.

De acordo com as diretrizes, os atores “não podem participar de convenções como a Comic-Con em nome de, ou para promover, empresas contra as quais estamos em greve, e isso inclui aparições, painéis, e etc”. Segundo o SAG-AFTRA, os artistas que furarem a paralisação serão punidos com censura, reprimenda, multa, suspensão ou expulsão do sindicato. Caso seja expulso, Amell nunca mais poderá trabalhar em um projeto que envolva a organização.

Pronunciamento

Diante da celeuma instaurada, o ator publicou um comunicado no Instagram nesta terça-feira (1) e basicamente apontou que o caso seria um mal-entendido.

É compreensível que tenha muita reação aos comentários que fiz neste fim de semana sobre nossa greve. Para garantir que não haja qualquer mal-entendido sobre meus pensamentos e intenções, vou explicar o que realmente disse, com clareza, para que meus sentimentos não sejam mal interpretados involuntariamente. Todos sabemos que as frases de efeito podem ser tiradas do contexto e tenho muito respeito por meus colegas sindicalistas”, escreveu.

O que eu realmente disse foi: ‘Eu apoio meu sindicato sim e estou com eles’. Isso não precisa de muita explicação, meu apoio é incondicional e estou com eles”, apontou. Em seguida, o ator abordou outra fala sobre não apoiar a paralisação. “‘Eu não apoio a greve’. Isso significa no contexto completo que entendo fundamentalmente por que estamos aqui. O uso da palavra ‘apoio’ é contraditório aos meus verdadeiros sentimentos e à minha declaração enfática de que apoio meu sindicato. Claro que não gosto de greves. Ninguém gosta. Mas temos que fazer o que temos que fazer“, continuou.

Sobre a maneira como descreveu as negociações do SAG, ele disse que compreende a motivação da greve, mas é inevitável não ter frustrações. “Sou um ator e falei de improviso por mais de uma hora. Eu me emociono, mas certamente não acho que essas questões sejam simples. Nossa liderança tem um trabalho complicado e sou grato por tudo o que eles fazem. Apesar de alguns dos meus terríveis trabalhos iniciais de atuação, garanto a você, não sou um robô. Do ponto de vista intelectual, entendo por que estamos em greve, mas isso não significa que não seja emocionalmente frustrante em muitos níveis para todos os envolvidos“, escreveu.

Estou simplesmente triste por não termos a chance de celebrar uma série pela qual todos nós, figurativamente e eu literalmente, dei duro“, lamentou, se referindo à “Heels”.

Como eu disse desde o início, quero garantir que meus pensamentos e intenções não sejam interpretados da maneira errada. Essa situação lembra o provérbio que diz: ‘A estrada para o inferno é pavimentada com boas intenções’. Que aparentemente, depois de ler uma quantidade limitada dos comentários, é um lugar que muitos de vocês gostariam que eu visitasse. No entanto, pelo menos no futuro previsível, escolho permanecer com meu sindicato. Quando você me ver em um piquete, por favor, não jogue nenhuma fruta em mim“, finalizou.

Greve em Hollywood

No início de junho, o sindicato dos atores abriu uma votação entre os integrantes para aprovação de uma greve conjunta. Liderado pela presidente do SAG, a atriz Fran Drescher, o sindicato que representa mais de 160 mil atores de cinema e televisão, assim como outros profissionais de entretenimento do mundo todo, oficializou a greve no dia 13 de junho. A decisão aconteceu após onze semanas de greve do WGA, o sindicato dos roteiristas de Hollywood, contra a AMPTP, a Aliança de Produtores de Filmes e Televisão, que representa os grandes estúdios e serviços de streaming.

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Entre as exigências aos estúdios, o WGA pede aumento de remuneração mínima em todas as áreas da mídia, aumento dos residuais, recebimento maior de lucros gerados pelo streaming, aumento das contribuições para planos de pensão e saúde e proteções gerais para escritores. Já a SAG pede que os gigantes do streaming concordem com a divisão mais justa dos lucros e melhores condições de trabalhos. Também foram exigidas leis contra o uso de inteligência artificial, garantias de que a AI e os rostos e vozes gerados por computador não serão usados para substituí-los.

A ação marca um momento histórico em Hollywood, já que é a primeira greve dos atores desde 1980 e a primeira vez em 63 anos que a paralisação acontece junto com os roteiristas.

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