Basta fixar o olhar por alguns segundos para perceber a real e profunda conexão de Olivier Mateu aka Rodriguez Jr. com a música.

Na estrada há mais de 25 anos e agora prestes a lançar seu quarto álbum de estúdio, o artista francês não demonstra sinais de que irá desacelerar, muito menos de qualquer bloqueio criativo.

“As ‘penas’ representam o aspecto onírico da minha música, enquanto os ossos representam sua estrutura e solidez”, explica.

Batizado de Feathers & Bones, seu novo álbum chega nesta sexta (26) e terá 10 faixas nas quais ele buscou por uma “alquimia sonora”, equilibrando suas clássicas melodias sonhadoras com texturas etéreas e batidas que tocam a alma.

Algumas já foram lançadas antecipadamente como singles e EPs, a exemplo de “Amplify”, “Lithium”, “Turn The Light On”, a própria “Feathers & Bones” e mais recentemente “Visions” – todas pela sua nova gravadora que carrega o mesmo nome, Feathers & Bones.

Em meio a esse importante lançamento, Rodriguez Jr. também passou por uma renovação significativa em sua vida pessoal, já que há algum tempo mudou-se de Paris para Miami, movimento que acabou inclusive danificando alguns de seus equipamentos de estúdio mais importantes – falaremos sobre isso adiante.

“Eu me sinto muito mais relaxado estando mais perto do mar e dos elementos da natureza em geral, é fácil se acostumar com o sol aparecendo quase sempre no céu”.

Ainda assim, tivemos a oportunidade de conversar com o artista sobre
todas essas novidades logo após sua recente passagem pelo Brasil, que
incluiu o D-Edge, em São Paulo, e o Surreal Park, em Camboriú/SC.

Confira a seguir:

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Olá, Olivier! Muito obrigado por aceitar essa entrevista em meio à sua movimentada rotina. Você acabou de retornar do Brasil, mas gostaríamos de começar falando sobre sua novidade mais quente no momento, o álbum Feathers & Bones. Você já vem trabalhando nele há pelo menos dois anos, certo? Qual foi o maior desafio ao longo do processo? O que ele traz de diferente comparado ao seu último LP, Blisss?

Olá pessoal, é um prazer enorme falar com vocês! Trabalhei em Feathers & Bones por um período de dois anos enquanto me mudava de Paris para Miami, então o maior desafio era mantê-lo consistente e homogêneo, sem perder o senso de foco.

A principal diferença em relação ao Blisss é que dei um passo adiante em minha busca pela liberdade artística. Eu conectei alguns pontos entre uma ampla variedade de influências e explorei as lacunas entre os gêneros.

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Ouvindo os singles previamente lançados, senti que as músicas conversam com o título do álbum; são leves como penas, frágeis como ossos, mas essenciais para fazer um ser voar. O que exatamente inspirou este nome e qual é a mensagem por trás?

Pelo visto você entendeu muito bem! É bem isso, as ‘penas’ representam o aspecto sonhador da minha música, enquanto os ossos representam a estrutura e solidez. Há mais de 25 anos minha música oscila entre esses pólos.

O álbum trará algumas collabs especiais como Liset Alea (sua esposa), Stereo MC’s e Giorgia Angiuli. O que te levou a escolhê-los para participar do álbum?

Cada colaboração tem uma história diferente obviamente. Escrever música com minha esposa Liset Alea faz parte da minha vida, é um processo orgânico que agora é parte integrante da minha paleta sonora.

Eu também estava procurando por alguém que pudesse incorporar a música que eu amava quando era adolescente e Stereo MC’s era a combinação perfeita para isso, com sua mensagem poderosa e frescor consistente.

Já com a Giorgia, foi um processo muito fluido e informal, começamos a trocar arquivos há algum tempo e estamos colaborando desde então. Eu adoro a maneira dela de criar música a partir de coisas com som incomuns.

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Feathers & Bones também é o nome da sua nova gravadora por onde o LP ganha vida, mas imagino que ela não se restringirá somente a isso. Quais são seus objetivos enquanto dono de gravadora a partir de agora?

O objetivo principal por enquanto é liberdade e flexibilidade. Vou me concentrar principalmente em meu próprio material nos próximos anos. Em geral, notei que quanto mais as gravadoras relutam em lançar algumas das minhas faixas menos formatadas, mais essas faixas fazem sucesso, então não queria perder mais tempo.

Já faz algum tempo que você se mudou de Paris para Miami, mas ficamos sabendo de um episódio um pouco traumático onde alguns de seus equipamentos (incluindo sintetizadores vintages) ficaram danificados. Uma situação difícil, sem dúvidas, mas olhando para um “lado positivo”, isso te permitiu desapegar de equipamentos antigos para testar coisas novas e montar um novo estúdio?

Acredito que a vida manda os sinais certos na hora certa, então esse desafio inesperado foi uma grande oportunidade para reconsiderar meu fluxo de trabalho e talvez admitir o fato de que talvez eu tivesse muita porcaria no meu estúdio.

Surpreendentemente, a maioria dos meus equipamentos antigos sobreviveu, fiquei surpreso ao ver como um equipamento construído há mais de 40 anos era tão robusto em comparação com o lixo de consumo que eles vendem hoje em dia.

E o que há de mais novo e especial no seu espaço criativo atualmente? Algum equipamento em específico ajudou a moldar a sonoridade deste novo álbum?

A essência dos meus equipamentos não mudou muito ao longo dos anos. Tenho o Roland Jupiter 6, o ARP 2600, o Roland SH11… Eles são como uma extensão de mim.

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Quais os benefícios observados por você (e até mesmo por sua esposa) com esta mudança para Miami? Como isso refletiu na sua rotina criativa e até na pessoa que você é, já que nos últimos anos você também passou a ter a importante missão de pai…

Eu me sinto muito mais relaxado estando mais perto do mar e dos elementos da natureza em geral, é fácil se acostumar com o sol aparecendo quase sempre no céu.

Além disso, é um ótimo ambiente para estar com a família; nosso filho está sempre brincando lá fora, a família da minha esposa está aqui, então ele tem avós e primos, e o oceano é um ótimo lugar para ouvir música.

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Explorar as diferentes possibilidades da música é algo que sempre andou ao seu lado, mas recentemente você teve uma experiência nova participando de um projeto com a Dolby Atmos, Burmester Soundsystem e Mercedes-Maybach. Como foi isso? Você pretende incluir parte dessas novas tecnologias nas suas próximas composições?

Eu já trabalho com a tecnologia da Dolby Atmos há alguns anos. Acho que fui um dos primeiros artistas na França, ao lado do Justice, a lançar um álbum em Dolby Atmos naquela época.

Então este comercial com Maybach, Burmester e Dolby é como a quintessência de anos de trabalho e tenho o prazer de personificar a ponte entre o momento da gravação em estúdio e a experiência de audição no carro.

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Ainda sobre novos projetos: você acabou de receber um remix de Tim Engelhardt para “Visions”, uma das músicas do LP, mas tem outros remixes no qual você está trabalhando, certo? O que vem por aí?

Estou trabalhando em um EP de remixes que contará com muitos novos talentos, como Elif, Skala e Øostil. Também tenho um EP colaborativo pela frente com Jan Blomqvist, então estou muito animado para compartilhar esses projetos em breve!

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E o que te incentiva a continuar criando novas músicas?

É uma emergência que vem “de cima” ou “de dentro”.

Por fim, gostaria de te fazer uma pergunta um pouco mais subjetiva: na sua opinião, qual é o papel e o poder que a música tem na vida das pessoas?

As notícias diárias do mundo são especialmente pesadas hoje em dia, então espero que as pessoas se dêem espaço para sonhar.

Espero que a música possa ajudar nisso.

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