O laudo do Instituto de Criminalística Carlos Éboli apontou um “acidente termoelétrico” como possível causa do incêndio que matou o fisiculturista Hugo Sérgio Pereira do Nascimento. Hugo morreu carbonizado em seu apartamento no bairro do Anil, no Rio de Janeiro, onde estava com a filha e a mulher. Nesta quarta-feira (9), o g1 divulgou detalhes do documento, que diz em que ponto da residência começou o fogo.

De acordo com o laudo, é possível afirmar que o incêndio “foi originado em instalação elétrica com cabeamento de extensão para múltiplas tomadas”, na sala da casa, próximo à televisão. Além disso, não foram encontrados sinais de uso de substâncias para acelerar o fogo ou ação violenta.

Laudo apontou que tudo começou na instalação elétrica da casa. (Reprodução; g1)

Os ferimentos que o fisiculturista tinha no antebraço direito, perna esquerda, pés e área abdominal são “típicos dos causados por queimaduras seguidas de abrasão”, quando existe toque em uma superfície rígida em contato com o calor. O Instituto ainda indicou sangue no peitoril e na esquadrilha metálica do quarto do casal. A substância escorreu pela fachada do prédio.

Nesta quarta-feira (9), um motoboy que ajudou a salvar a filha de Hugo foi prestar depoimento na 32ª DP da Taquara, que investiga o caso. Larissa Mello Viana Silveira, mulher de Hugo, vai prestar depoimento nesta quinta (10).

Incêndio 

O incêndio aconteceu no dia 29 de julho, atingindo o apartamento da família de Hugo Sério. Ele morreu no local, enquanto a mulher e a filha foram resgatadas. A menina de 6 anos foi levada para o Hospital Municipal Souza Aguiar em estado grave. Imagens de câmeras de segurança divulgadas pelo g1 mostraram Larissa saindo desesperada do apartamento. Ela corre em direção ao elevador, mas logo em seguida volta para casa. No entanto, pelo vídeo não é possível afirmar se Larissa chegou a entrar novamente no imóvel.

Inicialmente, Larissa disse que o marido teria resgatado a filha e a cadela da família do apartamento, mas algumas testemunhas e funcionários do prédio rebateram a versão dela. Um morador confirmou que retirou a garota do apartamento em chamas. Segundo ele, a menina estava na cozinha, o que facilitou o resgate. “O incêndio foi muito rápido. No curto-circuito não acontece isso. Os móveis queimavam ao mesmo tempo”, declarou.

Vizinho disse que resgatou filha do casal, contrariando a versão inicial da mulher de Hugo Sérgio. (Reprodução; g1)

Ele também afirmou ter escutado uma discussão entre Larissa e Hugo antes da tragédia. “Eu estava dormindo e acordei com barulhos de móveis quebrando, móveis caindo e vidro estilhaçando. Em seguida, eu ouvi uma criança gritando. Foi o que me levou na varanda. Lá, eu vi o prédio da frente muito claro e olhei para cima. O vizinho da frente gritou ‘fogo’. Eu coloquei o chinelo e subi correndo”, descreveu.

“Quando eu cheguei no corredor, a fumaça era muito intensa e voltei a ouvir o grito da criança [pedindo socorro]. Os moradores das outras portas saíam. Vi a mãe da menina no corredor e perguntei quem estava no apartamento. Ela disse que era a filha e o marido, e ela foi para a escada onde estavam outros moradores. Fui até o apartamento, mas não consegui entrar inicialmente porque a porta pegava fogo, o calor era muito intenso e tinha muita fumaça”, lembrou.

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Nesta terça-feira (8), a Globo divulgou um vídeo em que mostra Hugo Sérgio pedindo ajudada e tentando pular da varanda do apartamento para escapar do fogo. Na gravação, é possível ver a varanda em chamas e uma fumaça preta saindo pelas janelas. O fisiculturista chegou a colocar uma parte do corpo para fora, mas recuou e desistiu de pular. Momentos depois, ele volta para sala e não é mais visto.

O vídeo confirmou o que foi dito pelo vizinho do prédio da frente, que declarou ter visto Hugo pedindo ajuda. “Eu e minha esposa estávamos dormindo. Eu ouvi uma gritaria muito grande, barulho de vidros quebrando e quando vi pela janela, os moradores estavam na sacada e o apartamento em chamas”, contou.

“O Hugo estava na sacada e fazia como se fosse se jogar do 10º andar. Claro por conta do calor e do fogo. Os moradores gritavam pedindo que ele ficasse calmo e não se jogasse. Nisso, eu desci pra tentar ajudar de alguma forma”, recordou.

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