Rita Lee admitiu em sua autobiografia que cogitou a eutanásia após descobrir o câncer de pulmão em estágio avançado. Em “Rita Lee: Outra Biografia”, lançado nesta segunda-feira (22), a rainha do rock brasileiro narra os dois últimos anos de sua vida, e aproveita para explicar por que considerou a possibilidade e o que a fez mudar de ideia.

“Disse a ele (médico) que minha vida tinha sido maravilhosa e, que por mim tomava o ‘chazinho da meia-noite’ para ir desta para melhor. Que me deixassem fazer uma passagem digna, sem dor, rápida e consciente. Queria estar atenta para logo recomeçar meu caminho em outra dimensão. Sou totalmente favorável à eutanásia. Morrer com dignidade é preciso”, esclareceu ela no livro.

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A artista relembrou que recebeu o diagnóstico, em 2021, e teve crises de pânico, dado o histórico de sua família. Na obra, a voz de “Lança Perfume” contou que fazer radio e quimioterapia a deixava apavorada e com medo dos efeitos colaterais. Rita justificou que não queria passar pelo mesmo sofrimento de sua mãe, Romilda Padula Jones, também vítima do câncer. “Contei [ao chefe da área de oncologia do hospital] do trauma que ficou em mim por ter visto sofrimento da minha mãe fazendo esses dois procedimentos quando teve câncer”, confessou.

Ao longo da autobiografia, a cantora declarou que foi convencida pelos médicos a seguir com o tratamento, visto os avanços encontrados para o seu caso. Entretanto, a decisão maior aconteceu após receber o apoio do marido, Roberto de Carvalho, e dos seus três filhos Beto, João e Antônio. “O amor dos boys Carvalho/Lee me fez optar por aceitar fazer o tratamento, porque, se fosse por mim, adeus mundo cruel na boa”, escreveu.

Roberto de Carvalho e Rita Lee (Foto: Reprodução/Instagram)

Rainha do rock brasileiro e uma das maiores estrelas da música, Rita Lee nos deixou na noite do dia 8 de maio, aos 75 anos. Ela foi diagnosticada com câncer de pulmão em 2021 e vinha fazendo tratamentos contra a doença. O velório aconteceu no planetário do Parque Ibirapuera, em São Paulo.

Carreira do ícone brasileiro

Ao longo de seus quase 60 anos de carreira, Rita foi responsável por movimentos icônicos no rock brasileiro e criou canções que são trilha sonora da nossa cultura popular, trazendo temas relevantes sem perder a irreverência. Referência de criatividade e independência feminina, a cantora logo ganhou o posto de “rainha do rock brasileiro” – que ela achava “cafona”. Rita preferia o título de “padroeira da liberdade”.

Seu último álbum de canções inéditas foi lançado em abril de 2012. “Reza”, faixa-título, foi a música de trabalho, definida por ela como “reza de proteção de invejas, raivas e pragas”. Sua obra reuniu 40 álbuns, sendo 6 dos Mutantes e 34 da carreira solo.

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