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Diversidade e originalidade sustentam o trabalho da gravadora Not Another

Definitivamente, não é apenas mais uma gravadora de techno brasileira

* por Lau Ferreira

De maneira muito simplista, podemos descrever a Not Another como um selo brasileiro focado em melodic house & techno. Fazer isso, entretanto, isso seria falhar com todo o conceito, a profundidade e o esforço artístico que seus criadores propuseram, planejaram e executaram, com apego aos mínimos detalhes, para construir uma gravadora diferenciada em território nacional.

Está muito claro. Do nome à identidade visual (com destaque para as capas de Davi Leventhal), passando pela proposta sonora, o objetivo sempre foi o de se destacar em meio aos pares; em não ser só mais um (“not another”) selo de techno, que venha para fazer o que já era feito por todos os outros. Com isso norteando todas as iniciativas do projeto desenvolvido, inaugurado e administrado pelos cinco amigos — Be Morais, GRG, Feemarx, Rodrigo Ilino e Vitor Moya — desde o fim de 2014, a plataforma foi, passo a passo, solidificando relevância (local, nacional e internacionalmente) e, de quebra, ajudando a colocar a cidade de Recife no mapa brasileiro da música eletrônica underground.

Com original de Fran Von Vie e Danny Oliveira e remixes de L_cio e Be Morais, “Where Dreams Lie”, de fevereiro de 2016, é a pedra fundamental da Not Another

Do dia 1º de fevereiro de 2016 até aqui, foram mais de cem músicas lançadas através de 28 releases — e se pode não parecer tanto assim, é justamente porque os cinco gestores escolhem a dedo o que, quem, como e quando lançar. Entendem que qualidade está à frente de quantidade, e não querem apenas ser uma “esteira de lançamentos”, como dizem. Trabalham para desenvolver relacionamento especial e familiar com os artistas, que, por sua vez, precisam estar bem alinhados à filosofia da marca. 

E dentro disso, nomes como L_cio (este desde o dia um), Alex Justino, Sonic Future, Danny Oliveira, Petar Dundov, André Sobota, Sam Pauli, Horatio e Etyen tornaram-se bons exemplos. Produtores que entendem que suas obras devem ser a expressão genuína do que desejam transmitir, em vez de tão somente fazer o que eles acham que as pessoas querem escutar.

Lançada pela Not Another em março de 2018, “Elephant in the Room”, do libanês Etyen, tem mais de um milhão de plays apenas no Spotify

Com uma diversidade sonora que compreende progressive house, deep house, techno peak time, techno melódico e até indie dance (mas cujo DNA é amarrado por elementos melódico-emocionais) e suporte de figurões do calibre de Sasha, Guy J, Richie Hawtin, Maceo Plex, Âme, Joris Voorn, Joseph Capriati, Acid Pauli, Hernán Cattáneo, Paco Osuna e Luca Agnelli, talvez não seja nenhum exagero dizer que a label pernambucana já é uma das principais do cenário house/techno nacional. 

Mais do que uma gravadora, uma catalisadora, agente transformadora cultural do Brasil. Mais do que lançamentos para as pistas underground, músicas únicas, que se conectam e contam histórias — Arte com “A” maiúsculo. Mais do que promoção de artistas, o estabelecimento de vínculos sólidos, troca, parceria, união, em trabalhos bem amarrados em todas as pontas. Mais do que eventos, experiências que tocam a alma, eternizam momentos e conectam as pessoas. Não, definitivamente, não se trata de apenas mais uma.

Playlist com todos os sons já lançados pela Not Another, dos mais antigos aos mais atuais

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