Após o Ministério Público do Rio de Janeiro oferecer uma denúncia criminal contra Marcius Melhem por assédio sexual, novas informações sobre a investigação vieram à tona. Nesta quarta-feira (9), o Universa UOL divulgou trechos de documentos que apontam um comportamento padrão do humorista para abordar as vítimas.

De acordo com a declaração, Melhem teria o costume de “se aproximar” das mulheres como um “chefe parceiro e protetor, passando aos poucos a estabelecer uma sensação de intimidade e amizade”. Entretanto, com o passar do tempo, ele cobrava gratidão das subordinadas e disparava frases agressivas para as mulheres. “Você me deve um boquete por te trazer pra Globo”, “um dia vou te pegar”, “vou te cobrar com favores sexuais”, seriam algumas sentenças ditas pelo comediante, segundo a denúncia.

O texto ainda afirma que o artista tinha o costume de “elogiar” as colegas de trabalho. “Sendo corriqueiro dirigir-se às vítimas com termos como ‘gostosa’, ‘você tá uma delícia com essa roupa’, ‘vou conferir esse figurino de maiô’”, esclarece o relatório.

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Após o assédio verbal, Melhem partiria para uma aproximação física, distribuindo “abraços e carinhos excessivos disfarçados de brincadeiras que evoluíam igualmente para apalpações”. A denúncia ainda aponta “tentativas de beijos forçados, propostas de sexo, tapinhas nas nádegas, apertões nos seios e até mesmo, em algumas situações, exposição de sua genitália, orgulhoso da situação de ereção”.

Os casos de assédio teriam ocorrido contra as atrizes Georgiana Góes e Carol Portes, que trabalharam sob a chefia de Melhem no núcleo de humor da emissora carioca. A terceira vítima teria sido uma jornalista, que até hoje não se manifestou publicamente sobre as acusações.

Dani Calabresa, Georgiana Góes e Carol Portes são algumas das atrizes que denunciaram o comediante (Foto: TV Globo / Márcio de Souza; Globo/Estevam Avellar; Globo/Manoella Mello)

Em depoimento, Portes exibiu prints de supostas conversas com Melhem, nas quais ela afirma ter sofrido assédio sexual. Ela também detalha que o ator pegava “a mão da vítima e passava no seu pênis ereto, se convidava para ir ao apartamento da vítima tomar banho, tentava beijar a vítima à força, mandava mensagens dias depois perguntando se o constrangimento já havia passado, oferecia três cervejas e uns tapas para que ela pudesse ‘relaxar’ com ele”. Por não ter cedido às investidas, Carol Portes diz que foi “colocada na geladeira” da TV Globo.

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Os relatos de Georgina e da jornalista se assemelham com as falas da colega. Segundo elas, Melhem sempre dizia a frase “o jogo vai virar” quando não conseguia concluir as investidas. Já a atriz ainda declarou que o comediante nutria “fantasias eróticas” com ela desde que interpretou uma estudante em “Confissões de Adolescente”, dos 17 aos 19 anos.

“Em diversas oportunidades, ao se deslocarem dos estúdios de gravação na zona oeste para o setor da emissora localizado na zona sul, ao passarem de carro na frente de algum motel, o denunciado fazia propostas de entrarem”, informa a denúncia.

Relembre o caso

As denúncias começaram quando as atrizes e a jornalista prestaram depoimentos à Ouvidoria da Mulher no Conselho Nacional do Ministério Público, entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021. O caso veio à tona cinco meses depois e, em 18 de junho de 2021, um inquérito foi aberto para apuração de assédio sexual por parte de Melhem. Além do trio, outras mulheres relataram episódios de assédio sexual contra ele ao Ministério Público.

Apesar das denúncias, Marcius Melhem quer provar que sua relação com Dani Calabresa era amigável. (Foto: João Cotta/Globo)

A acusação de Portes é o caso mais antigo dentre as vítimas que se identificaram. Ela teria sido assediada sexualmente pelo artista nos bastidores do programa “Tá no Ar”, em que ela trabalhava. Dani Calabresa era outra atriz entre as denunciantes, mas seu caso foi arquivado por prescrição punitiva dos fatos. Outras quatro mulheres que acusaram Melhem também tiveram os casos descartados pelo mesmo motivo.

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Desde o início do inquérito, o humorista negou as acusações. Em nota à imprensa, os advogados Ana Carolina Piovesana, José Luis Oliveira Lima, Letícia Lins e Silva e Técio Lins e Silva alegaram que a denúncia foi “confusa” e “alheia aos fatos”. Leia a íntegra:

“A escolha ilegal de uma promotora que não teve nenhum contato com as investigações, em evidente violação ao princípio do promotor natural, fato gravíssimo já levado à apreciação do Supremo Tribunal Federal, resultou, como se esperava, em uma denúncia confusa e inteiramente alheia aos fatos e às provas. Ignorando totalmente os elementos de informação do Inquérito Policial, a denúncia acusa Marcius Melhem do crime de assedio sexual contra três das oito supostas vítimas. No momento oportuno, esta absurda acusação será veementemente contestada pela defesa do ex-Diretor, que segue confiante na Justiça, esperando que a Magistrada não dê prosseguimento ao processo, como lhe faculta a lei”.

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