Nesta quarta-feira (9), o candidato à presidência do Equador, Fernando Villavicencio Valencia, foi assassinado com três tiros na cabeça. De acordo com o jornal El Universo, o crime ocorreu após o deputado sair de um encontro político no Anderson College Coliseum, em Quito. Horas antes, ele fez um discurso “premonitório”, mandando um recado para aqueles que ameaçavam matá-lo.

No vídeo, compartilhado nas redes sociais de Villavicencio, ele revelou que se recusou a usar colete à prova de balas, já que era “valente como seu povo”. “Eu não preciso [de colete]. Vocês são um povo valente, e eu sou valente como vocês. Vocês são quem cuidam de mim, vocês são meu colete. Venham, aqui estou. Disseram que iriam me quebrar. Que venham os chefões do narcotráfico! Que venham os atiradores, que venham os milicianos! Acabou o tempo da ameaça. Aqui estou eu. Podem me dobrar, mas nunca vão me quebrar”, disse. A eleição no país será realizada daqui a onze dias. Assista:

Nesta quinta-feira (10), seis pessoas suspeitas de envolvimento no assassinato foram presas nos distritos de Conocoto e San Bartolo, em Quito, e as operações continuam em Guamaní. Uma mala com armas e granadas foi encontrada em um veículo abandonado. A informação foi confirmada pela Procuradoria Geral do Estado.

Um dos suspeitos de atirar em Villavicencio foi morto após uma troca de tiros com a polícia nacional. Ao menos nove pessoas ficaram feridas no ataque e foram encaminhadas ao hospital.

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Fernando chegou a ser levado para a clínica, mas já não tinha sinais vitais. Ele participava do movimento Construye-Lista 25 e apareceu em 5º lugar na última pesquisa publicada pelo El Universo. Além de deputado, ele era um ativista e participou das investigações acerca do governo do ex-presidente Rafael Correa, condenado a oito anos de prisão por corrupção em 2020.

O tiroteio foi registrado pelo público que acompanhava o político. Testemunhas relataram que ouviram os disparos e viram Villavicencio caindo gravemente ferido. No vídeo, é possível ver o momento em que ele entra no carro e os tiros começam. Em outro trecho, os feridos tentam fugir do local.

Assista [Aviso: imagens fortes]:

O atual presidente do Equador, Guillermo Lasso, declarou estado de exceção por 60 dias em todo o país. Já o governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, externou “profunda consternação” pelo crime.

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Facção assume responsabilidade

O crime foi reivindicado pela facção criminosa Los Lobos, apontada como o segundo maior grupo criminoso do Equador, com mais de 8 mil membros distribuídos nas prisões do país. Em um vídeo divulgado no Twitter, homens encapuzados e armados alegam que Villavicencio teria feito um acordo com o crime organizado e não teria cumprido suas promessas.

“Queremos deixar claro para todos que cada vez que políticos corruptos não cumprirem com suas promessas antes estabelecidas, quando receberem nosso dinheiro – que são milhões de dólares -, para financiar suas campanhas, serão executados”, diz o porta-voz. No mesmo vídeo, o grupo ameaça outro presidenciável, Jan Topic. O governo equatoriano, porém, ainda não se manifestou sobre a veracidade do registro.

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